Gostaria de retomar o pensamento que estive remoendo por alguns dias, após uma pesquisa sobre «enciclopédias». Na verdade, escrevi um esboço de ensaio sobre o tema, que, confesso não saber ainda onde publicarei, porque detonei com muito gosto a minha conta no Substack[1].
Falei de quase tudo que pretendia neste esboço, porém, me esqueci de um raciocínio divertido. Pergunto, e se Michel de Montaigne tivesse conhecido as enciclopédias? Montaigne é anterior a elas.
Em sua época haviam as compilações. A enciclopédia no conceito moderno que conhecemos e tivemos em nossas casas (os mais velhos, me incluo entre os felizardos) somente surgiria um século mais tarde. A famosa «Encyclopédie», de Denis Diderot e d’Alembert, por exemplo, seria concebida 150 anos depois de Montaigne.
É certo que delas teria usado — caso existissem e as possuísse, uma que seja — de vários trechos que poderia vir a citar nos «Ensaios», a fim de elucidar seus argumentos como era de seu feitio. Como leitor, realmente acredito que as teria apreciado.
E lá na sua torre abençoada, onde Montaigne se refugiava junto da livraria e da oficina[2], as enciclopédias com certeza encontrariam lugar nas estantes que abrigavam seus livros.

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