13 de ago. de 2026

Felicidade Conjugal

Estou lendo «Felicidade Conjugal», de Tolstói. É daqueles livros cuja leitura pode levar uma, duas tardes. Terminei a primeira parte (de duas) que a novela tem. E me fez pensar em «A Fera Na Selva», de Henry James. Me fez pensar no mote da história, o justo instante em que uma pessoa percebe ter deixado passar algo valioso na vida, depois de tanto tempo bem diante dos seus olhos, bem ao alcance de suas mãos.


Macha e Sierguiéi ensaiaram, na prática, repetir o triste destino daquele casal de «A Fera Na Selva», mas, dentro de si, suas almas, apesar dos receios, não puderam evitar apaixonar-se e aprender a amar-se.

12 de ago. de 2026

Cartas A Théo

 


As cartas de Van Gogh ao irmão podem ser tão reveladoras quanto as Odes de Horácio ou os romances de José Geraldo Vieira o são acerca das idiossincrasias de cada um.


No início da correspondência, tem-se um Van Gogh perdido, sem rumo na vida. Ele era filho de pastor; é natural que tenha tentado seguir os passos do pai na Obra de Deus como missionário, o que o leva às minas de carvão da Bélgica. Mas os seus «mestres» o desencorajavam: não o consideravam um bom orador, habilidade fundamental, segundo eles, para exercer tal função.


A partir do instante em que toma consciência de sua vocação para a arte e passa a trabalhar para aperfeiçoar esse dom, um novo Van Gogh se mostra. Mais decidido e seguro, mais animado e em paz consigo mesmo. O que faz o leitor pensar em quão desgraçado é aquele que não sabe o que fazer de si.