É segunda-feira, 23 de março de 2026, meu primeiro dia de férias; são, aliás, as primeiras que tiro no ano. Costumo dividir os 30 dias a que tenho direito em duas partes. Mas isso não interessa.
Quero dizer que quando não estamos de férias, gostemos ou não do trabalho, ansiamos tanto pelo fim de semana, para tirar um período de descanso, que parece ser essa a razão de acordarmos num dia pensando ser um outro. Mesmo os nossos sonhos parecem contribuir conspirando com o subconsciente para produzir em nós essa sensação.
Em minha semana é frequente acordar na quinta-feira com uma sensação de que aquele dia, é na verdade, já sexta-feira. Naturalmente não é o caso, infelizmente.
Quando lia «O Pesadelo», um texto de Jorge Luis Borges sobre sonhos e sobre o pesadelo em especial, me senti compreendido com a passagem a seguir, pois o método ao qual nosso organismo nos submete e faz produzir essa sensação, é o mesmo expresso por Borges:
«Esta noite dormiremos, esta noite sonharemos que é quarta-feira. E sonharemos com a quarta-feira e com o dia seguinte, com a quinta-feira, talvez com a sexta-feira, talvez com a terça-feira... A cada homem é dada, com o sonho, uma pequena eternidade pessoal que lhe permite ver seu passado próximo e seu futuro próximo.»

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